Navios por Dentro: l’Austral

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O pequeno teatro, com suas poltronas vermelhas. 

Inaugurado em 2011, o l’Austral é parte da nova frota da Compagnie du Ponant, que até pouco era parte do grupo CMA CGM. Segundo navio da série que terá pelo menos quatro navios, possui um ambiente de yatch; sua aparência é contemporânea. Um navio de pequeno porte, que oferece cruzeiros de luxo, o l’Austral é o navio deste mês da série Navios por Dentro, de Rui Agostinho. 

A moderna ponte de comando
O l’Austral é o segundo navio construído pela Compagnie du Ponant. Entregue pelo estaleiro Fincantieri, de Ancona, Itália, em 2011, é gêmeo do Le Boreal, primeiro navio de uma série que, além do Boreal, entregue em 2010, possui mais dois navios, o Le Soléal, entregue este ano, e um quarto em construção ainda sem nome. De dimensões modestas, ambos os navios foram idealizados como yatchs elegantes para o público francês. São parte de um projeto de expansão da companhia, sediada em Marselha, na França, que modificou completamente sua frota nos últimos anos. Até 2010, a Compagnie du Ponant possui três navios, o Le Ponant, navio original da marca, um veleiro, o Le Diamant, um antigo navio de explorações, e o Le Levant, um pequeno yatch de apenas 5 mil toneladas. 
Restaurante principal
A empresa era administrada pela CMA CGM, uma gigante do ramos de carga, que a adquiriu em 2006 de seus fundadores, procurando diversificar seus produtos. Foi no período em que foi propriedade da CMA CGM, que a companhia passou por sua transformação, que começou com a encomenda de dois novos navios em 2007. O primeiro navio desta série, o Le Boreal, foi entregue em 2010, e o l’Austral em 2011. Com casco quebra-gelo, foram projetados para cruzeiros de luxo, e expedições, em um nicho de mercado descrito pelos executivos da companhia como “premium e boutique”, como contou um dos executivos da empresa ao Cruise Industry News em 2009. Segundo ele, a companhia pretendia, na época, tornar-se líder deste segmento, aumentando ainda mais sua frota durante aos anos.

Restaurante Grill
Academia
Uma das escadarias a bordo

Alguns anos depois, em meio a crise econômica mundial, a CMA CGM começou a negociar a venda de sua subsidiária para outra empresa interessada. Em 2012, o negócio foi concluído, e a Compagnie du Ponant passou a ser propriedade do fundo de investimentos Bridgepoint Capital, do Reino Unido. Ainda assim, a promessa do executivo foi mantida; mesmo em meio à eminência da venda da companhia, as negociações com o estaleiro Fincantieri continuaram, e resultaram na encomenda de um terceiro navio da classe Boreal, o Le Soléal. Em 2013, um quarto navio gêmeo foi encomendado, com entrega para 2015.

Corredor de cabines
Biblioteca
Alguns dos sofás do Main Lounge

Com a encomenda de novos navios, pouco a pouco os mais antigos foram sendo vendidos. O Le Diamant, de 1974, e que inclusive operou no Brasil pela Compagnie du Ponant, foi vendido à Quark Expeditions, onde agora navega como Ocean Diamond. O Le Levant, de 1998, foi vendido à Paul Gauguin Cruises, da Polinésia, e passou a se chamar Tere Moana. Somente o Le Ponant foi mantido, na frota, por este ter sido determinante na história da companhia, com seu estilo único. A importância do navio para a companhia é tanta, que ele está até mesmo no seu logotipo. Assim, a frota passou a ser composta por apenas navios novos, construídos especialmente para a companhia, além do Ponant. 

Main Lounge
Área externa de um dos bares
Nesse contexto, surgiu o l’Austral, com suas 12,5000 toneladas, 142 metros de comprimento por 18 de largura, e capacidade para 268 passageiros. Idealizado como um navio verde, o l’Austral é um dos navios de cruzeiro mais modernos ambientalmente, tendo ganho até mesmo prêmios por conta de sua atenção com o meio ambiente. Seu casco corta-gelo, por exemplo, foi pintado com um tipo de tinta que minimiza o atrito com a água, e conseqüentemente reduz o consumo de combustível da embarcação. A mesma preocupação existiu no momento em que o casco foi projetado; seu formato foi testado, e o mais hidrodinâmico foi escolhido, justamente para maximizar ao máximo a utilização de combustível. Esta no entanto, é só uma das medidas que foram adotadas no projeto para torná-lo ecologicamente correto. 

Bar externo
Área da piscina
Salão Panorâmico
Com registro em um território ultra-marino francês, o l’Austral opera sob a bandeira deste país, em cruzeiros voltados ao público francês e internacional ao redor do mundo, com especial foco na América do Sul e Antártica, e na Europa e Ártico. Sua decoração interna é diferente daquela encontrada na maioria dos navios de cruzeiro da atualidade; com uma palheta escolhida cuidadosamente, todo o estofamento, e revestimento possui, em linhas gerais, apenas alguns tons: vermelho, bege, cinza e preto e branco. O estilo da decoração é contemporâneo, com formas geométricas angulosas, e poucas obras de arte que não as modernas; abstratas.  

Mesa externa do Restaurante Grill na área da piscina
Solarium
Piscina
O navio em si também é diferenciado, a bordo, não há casino, e só uma pequena loja está disponível. No quesito acomodações, são apenas 132 cabines. Deste total, apenas 8 não possuem varanda privativa. Outro diferencial interessante é a pequena “marina”, localizada na popa. Quando o navio está ancorado, um deck de pequenas dimensões é aberto na popa, criando uma espécie de marina, que serve, entre outras coisas para embarque nos zodics, barcos de expedição usados pelos passageiros na Antártica e Ártico. Com quase 150 tripulantes, o l’Austral possui um ótimo índice tripulante por passageiro, próximo de dois passageiros por tripulante.  

Área da recepção
Balcão de serviços
Outra área de destaque é o Spa, que compreende parte do deck 5 Bengale. O espaço possui uma academia, sauna, um salão de beleza, e áreas de tratamento propriamente ditas. A administração é da Sothys, especializada em tratamentos de beleza e cosmética. 
As fotos são de Rui Minas Agostinho, e foram feitas em outubro de 2013, enquanto o l’Austral realizava escala em Portimão, em Portugal.

Cabine 407
Das cerca de 130 cabines, apenas 8 não possuem varanda. 
Entrada do Spa. 
 Texto (©) Copyright Daniel Capella.
Imagens (©) Copyright Rui Minas Agostinho.
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